A bombinha de asma, também chamada de inalador, é um dos tratamentos mais eficazes e seguros para o controle da asma e de outras doenças respiratórias, como a DPOC.
Apesar disso, muitos pacientes não utilizam o dispositivo da forma correta, o que compromete significativamente os resultados do tratamento e pode levar a crises frequentes, idas ao pronto-socorro e piora da qualidade de vida.
Neste blog, vou explicar de forma detalhada e prática como usar corretamente a bombinha, quais são os erros mais comuns, por que eles prejudicam o tratamento e como evitá-los.
Por que a bombinha é tão importante no tratamento da asma?
A bombinha permite que o medicamento chegue diretamente aos pulmões, local onde ocorre a inflamação da asma. Isso faz com que o efeito seja rápido, eficaz e com menos efeitos colaterais quando comparado a medicamentos em comprimidos ou injetáveis.
Quando usada corretamente, a bombinha:
- Reduz a inflamação dos brônquios
- Diminui a frequência e a intensidade das crises
- Melhora a respiração e o fôlego
- Reduz internações e visitas ao pronto-atendimento
- Permite uma vida ativa e com menos limitações
Por outro lado, o uso incorreto faz com que grande parte do medicamento se perca na boca ou na garganta, sem atingir os pulmões.
Erros comuns no uso da bombinha
Apesar de parecer simples, o uso da bombinha envolve técnica e atenção aos detalhes. Estudos mostram que uma grande parcela dos pacientes utiliza o inalador de forma incorreta, mesmo após anos de tratamento. Esses erros reduzem drasticamente a quantidade de medicamento que chega aos pulmões e explicam por que muitos pacientes continuam tendo crises, mesmo fazendo uso regular da medicação.
A seguir, destaco os principais erros, explicando por que eles acontecem e como corrigi-los.
- Não coordenar o disparo com a respiração
Esse é um dos erros mais frequentes, especialmente com o inalador pressurizado (spray). Ele exige coordenação entre o momento de apertar o dispositivo e o início da inspiração.
Quando o paciente aperta a bombinha antes de começar a inspirar ou depois que já terminou de puxar o ar, a maior parte do medicamento se deposita na boca, língua ou garganta, sem atingir os pulmões.
Como fazer corretamente:
- Solte todo o ar dos pulmões antes de usar
- Inicie uma inspiração lenta e profunda
- Aperte a bombinha exatamente no início da inspiração
- Continue inspirando até encher completamente os pulmões
Esse ajuste simples já melhora significativamente a eficácia do tratamento.
- Inspirar rápido demais
Outro erro muito comum é puxar o ar de forma rápida e curta. Isso faz com que o jato do medicamento atinja diretamente a garganta, reduzindo sua chegada aos brônquios.
Para o inalador spray, a inspiração deve ser lenta, contínua e profunda. Já nos inaladores de pó seco, a inspiração precisa ser mais forte, pois é ela que ativa o medicamento.
Por isso, é fundamental saber qual tipo de bombinha você usa e receber orientação específica do seu pneumologista.
- Não segurar o ar após a inalação
Após usar a bombinha, muitos pacientes soltam o ar imediatamente, sem perceber que isso reduz o tempo de contato do medicamento com os pulmões.
Segurar o ar por alguns segundos permite que o medicamento se deposite adequadamente nas vias aéreas, aumentando sua eficácia.
O ideal é:
- Segurar o ar por cerca de 10 segundos (ou o máximo que conseguir)
- Em seguida, soltar o ar lentamente
- Esse passo é simples, mas faz muita diferença no controle da asma.
- Não utilizar o espaçador quando indicado
O espaçador é um acessório extremamente importante, mas ainda pouco valorizado por muitos pacientes. Ele funciona como uma câmara que armazena o medicamento por alguns segundos, facilitando a inalação correta.
O uso do espaçador:
- Reduz a necessidade de coordenação entre disparo e respiração
- Aumenta a quantidade de medicamento que chega aos pulmões
- Diminui efeitos colaterais locais, como rouquidão e irritação na garganta
É fortemente recomendado para crianças, idosos, pacientes com crises frequentes e pessoas que apresentam dificuldade no uso do spray.
- Usar a bombinha apenas durante a crise
Esse é um erro clássico e muito perigoso. Muitos pacientes utilizam apenas a bombinha de alívio, acreditando que ela é suficiente para controlar a asma.
No entanto, o tratamento da asma geralmente envolve dois tipos de medicação:
Bombinha de alívio, usada para aliviar os sintomas imediatos
Bombinha de controle, usada diariamente para tratar a inflamação dos pulmões
Quando a bombinha de controle não é utilizada corretamente, a inflamação permanece ativa, aumentando o risco de crises graves.
- Interromper o tratamento ao melhorar dos sintomas
A melhora dos sintomas não significa que a asma está curada. A asma é uma doença crônica e, mesmo sem sintomas, a inflamação pode continuar presente.
Interromper o tratamento sem orientação médica pode levar a:
- Retorno das crises
- Crises mais intensas e difíceis de controlar
- Maior risco de internações
O acompanhamento regular com o pneumologista é essencial para ajustar doses e avaliar o momento certo de qualquer mudança no tratamento.
- Usar bombinha vencida, vazia ou mal conservada
Muitos pacientes não verificam se a bombinha ainda contém doses suficientes ou se está dentro do prazo de validade.
Além disso, o dispositivo deve ser mantido limpo e armazenado corretamente. Bombinhas sujas ou mal conservadas podem não liberar a dose adequada do medicamento.
Passo a passo detalhado do uso correto do inalador spray
- Retire a tampa e agite bem a bombinha
- Solte todo o ar dos pulmões
- Posicione o bocal entre os lábios, vedando bem
- Inicie uma inspiração lenta e profunda
- Aperte a bombinha uma única vez
- Continue inspirando até encher completamente os pulmões
- Segure o ar por cerca de 10 segundos
- Solte o ar lentamente
Se precisar de nova dose, aguarde cerca de 30 segundos antes de repetir
Quando procurar o pneumologista?
Muitos pacientes convivem com sintomas respiratórios por meses ou até anos acreditando que são normais, leves ou passageiros. No entanto, a asma mal controlada pode evoluir de forma silenciosa, aumentando o risco de crises graves, internações e limitações importantes no dia a dia.
A avaliação com um pneumologista é fundamental não apenas durante crises, mas principalmente para prevenção, ajuste do tratamento e educação do paciente.
Você deve procurar um pneumologista se:
- Usa a bombinha de alívio com frequência, especialmente mais de duas vezes por semana. Isso é um sinal claro de que a asma não está bem controlada.
- Acorda à noite com falta de ar, chiado ou tosse, pois sintomas noturnos indicam inflamação persistente das vias aéreas.
- Apresenta crises recorrentes, mesmo fazendo uso regular da medicação prescrita.
- Sente limitação para atividades do dia a dia, como subir escadas, caminhar ou praticar exercícios físicos.
- Tem dúvidas sobre a técnica correta de uso da bombinha, pois pequenos erros podem comprometer totalmente o tratamento.
- Já precisou procurar pronto-socorro ou hospital por crise de asma nos últimos meses.
- Interrompeu ou modificou o tratamento por conta própria, seja por melhora dos sintomas ou por medo de efeitos colaterais.
Além disso, o pneumologista é o profissional capacitado para avaliar se o diagnóstico está correto, identificar fatores desencadeantes das crises, solicitar exames quando necessário, ajustar doses e tipos de medicação e orientar sobre prevenção e plano de ação para asma.
O acompanhamento regular permite um controle mais eficaz da doença, reduzindo riscos e proporcionando mais segurança ao paciente.
Cuide da sua Saúde e Bem-estar
O uso correto da bombinha é um dos pilares mais importantes no controle da asma e de outras doenças respiratórias. Pequenos erros, quando repetidos diariamente, comprometem todo o tratamento.
Com orientação adequada, revisão periódica da técnica e acompanhamento com o pneumologista, é possível reduzir crises, evitar internações e conquistar mais qualidade de vida.
Se você utiliza bombinha e sente que sua asma não está bem controlada, procure avaliação especializada.
